Saúde

Apesar das dificuldades iniciais, o trabalho de assistência aos doentes prosperou e se tornou uma das principais bandeiras da missão das Servas de Maria em terras brasileiras.

No Brasil, as primeiras irmãs chegaram em 1911. Foi a Irmã Anatólia Bodnar quem iniciou as atividades na área da Enfermagem. “Na época, em Prudentópolis, não existiam médicos, dentistas ou farmacêuticos, portanto, ela desempenhava essa tríplice função”, relata a Irmã Aquilina Kuzma.

Ela recorda também que, não havendo hospital, os doentes eram atendidos em um barracão com aproximadamente 30 metros de comprimento, construído ao lado da Casa das Irmãs. Não havia pisos e camas, somente o teto e quatro paredes. “Nesse, eram levados os doentes com varíola, peste bubônica, e outras doenças”.

Irmã Anatólia percorria os casebres do povo ucraniano que vivia em Prudentópolis, a maioria ao longo do Rio Cachim. As moradias eram semelhantes à favela. Ao encontrar pessoas doentes, a religiosa as levava para o barracão. Os enfermos eram internados e recebiam atendimento. Não havia médicos ou recursos do tipo, mas sim mãos santas e caridosas que auxiliavam na recuperação dos pacientes.

A Serva de Maria Imaculada passou a ser chamada de “nossa boa Irmã médica”. Pouco tempo depois, construiu um hospital onde podia atender os doentes com mais dignidade. O local era de madeira, mas oferecia camas. Ainda não havia médicos.

Em meio à pobreza, as Irmãs sabiam partilhar com seu povo. Elas socorriam os doentes, davam-lhe alimentos, roupas e medicamentos. Vale destacar as famosas “Banhke” (ventosas) trazidas pelas religiosas da Ucrânia e as fórmulas de remédios manipulados, entre elas a “fórmula Madre Anatólia”. O medicamento era eficiente no tratamento de monília e afta. A fórmula era manipulada pela farmacêutica Irmã Calixta Cedorak e receitada por pediatras no Hospital Infantil Getúlio Vargas.

Cada casa das Irmãs possuía uma Serva de Maria Imaculada preparada e destinada ao atendimento dos doentes. A maioria das comunidades eram asilos, hospitais e orfanatos. Assim, desde 1911 as irmãs vêm atuando em Iracema e Itaiópolis, Santa Catarina, e em Ivaí, Dorizon, Marcelino, São José dos Pinhais, Itapará, Irati, Gonçalves Junior, São Roque, Ponta Grossa, Castro, Antonio Olinto, União da Vitória, Campo Mourão, Barra Bonita, Prudentópolis, Cruz Machado e Vila Irmã Anatólia, todas localidades paranaenses.

Hospitais

O humilde hospital iniciado por Irmã Anatólia Bodnar passou por ampliações e reformas até se tornar o atual Hospital Sagrado Coração de Jesus, em Prudentópolis-PR. Nascida dos anseios das Irmãs Servas de Maria Imaculada para atender os imigrantes ucranianos e seus descendentes, a instituição precisou ser aumentada para atender a crescente população da região. Hoje, já são 68 leitos.

Por ser de caráter filantrópico, sem fins lucrativos, o Hospital Sagrado Coração de Jesus tem como mantenedora a Associação da Imaculada Virgem Maria (AIVM). Com isso, o hospital mantém disponível 72% de seus leitos a pacientes do Sistema Único da Saúde (SUS). Em seu quadro pessoal há 40 colaboradores e nove religiosas, enquanto no corpo clínico 11 médicos, um fisioterapeuta, um bioquímico e um farmacêutico.

O Hospital Bom Jesus também é uma entidade beneficente, cuja construção teve início em 1960, por iniciativa do padre Rafael Lototski, OSBM, Pároco da Igreja Transfiguração de Nosso Senhor, de Rito Bizantino Ucranino Católico, de Ponta Grossa-PR, com o médico Bartolomeu Lisboa e cinco empresários. Preocupados com a saúde da comunidade, eles construíram o hospital em um terreno das Irmãs Servas de Maria Imaculada, destinado a uma obra social. Foi então fechado um acordo entre a congregação e o grupo para que as irmãs viessem a trabalhar na instituição depois de concluída.

Terminada a primeira parte da obra em abril de 1962, o hospital foi colocado à disposição do público, sob a coordenação geral clínica e administrativa do médico Lisboa e os demais serviços sob a responsabilidade de quatro irmãs. Já em dezembro de 1965, a unidade foi adquirida pela Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada. A compra foi feita pela Irmã Bartoloméia Fedusz, na época Superiora Provincial.

As Irmãs terminaram a construção e investiram em equipamentos e materiais médico-hospitalares. As religiosas, entretanto, continuam inovando e ampliando a área física e investindo, principalmente, em recursos humanos.

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