Tríade Brasileira

O estilo de vida e o próprio testemunho das Servas de Maria Imaculada foram um convite para novas vocações. Exemplo disso foi o ingresso, em 1915, das três primeiras jovens brasileiras na congregação. Rafaela Vanda Rymkiewicz, Serafina Maria Komniska e Ana Arcênia Dacechen tiveram como mestra a Irmã Anatólia Bodnar, missionária encarregada de formar as novas gerações no mesmo espírito de seus fundadores. O ideal é que todas seguissem o lema da primeira serva, Irmã Josafata, servindo onde houvesse maior necessidade.

Irmã Rafaela Vanda Rymkiewicz

Nasceu em 19 de fevereiro de 1896, em Moscou, capital da Rússia. Ao chegar com sua família ao Brasil, no início do século XX, instalou-se a cinco quilômetros de Prudentópolis.

Jovem, bem educada e inteligente, Vanda ficou órfã de mãe ainda pequena. Apesar de atrair a todos com sua beleza, a jovem dedicava a maior parte de seu tempo a leituras bíblicas. Aos 13 anos de idade, caiu em suas mãos um livro sobre a vida dos santos, em idioma polonês. Esse foi lido várias vezes, até que, em uma noite de grande quietude, a jovem saiu para o jardim e pôs-se a refletir sobre o que lera.

Com o olhar entre flores e astros, recordou a vida dos jovens mártires que se consagraram inteiramente a Cristo. Foi nessa noite que o toque da graça vocacional penetrou em seu ser.

Vanda jurou a Deus o seu amor indivisível. Começou então a fazer visitas às Irmãs Servas de Maria Imaculada que residiam em Prudentópolis. Logo, percebeu que ali havia paz, alegria e compreensão, um cenário de felicidade que a atraiu para a congregação.

Inicialmente, seu pai não recebeu bem a ideia de que a filha o deixaria. Contudo, mudou de opinião. No final de 1914, as Servas de Maria Imaculada receberam a jovem como ajudante na escola.

Mas, como seu ideal era se tornar uma religiosa, foi admitida ao noviciado e, em 1916, recebeu trajes de religiosa, passando a se chamar Irmã Rafaela. Sua ocupação na vida religiosa era sintetizada na oração e nas atividades escolares. Nas horas livres, dedicava-se à pintura, criando, inclusive, inúmeros quadros para as igrejas.

Surgimento de
novas vocações

Embora considerado uma graça, o surgimento de novas vocações era também condição primordial para a continuidade das sete missionárias ucranianas no Brasil. Isso porque um documento previa que, dentro de cinco anos, uma casa de noviciado deveria ser fundada. Do contrário, as irmãs deveriam retornar à Europa.

Irmã Ana Arcênia Dacechen

Nasceu em 30 de setembro de 1894, na Ucrânia. Em 1900, sua família imigrou para o Brasil, fixando morada em Iracema, Santa Catarina. Na infância, a jovem enfrentou dificuldades materiais e morais. Ana frequentou a escola e aprendeu a ler nos idiomas ucraniano e português. Ajudava aos pais nos trabalhos.

Desde pequena, a menina sentia que era chamada para uma vida diferente. Ela não sabia, entretanto, como deveria ser, uma vez que desconhecia a vida religiosa. Com o passar dos tempos, teve a graça de conhecer as Irmãs Servas de Maria Imaculada, conquistando sua amizade. Irmã Salomia Kovalyshyn, com seu aspecto calmo, sempre aconselhava a jovem. Foi ela quem lhe emprestou o livro “A Sós com Cristo”, publicação que contribuiu para que Ana compreendesse o que é ser uma religiosa.

Mesmo com a contrariedade de seus pais, a jovem desejava cada vez mais se consagrar a Cristo. Por meio de cartas à Irmã Superiora, conseguiu uma resposta positiva quanto ao ingresso na Congregação. Em 2 de fevereiro de 1915, vestiu o hábito de Serva de Maria Imaculada, passando a chamar-se Irmã Arcênia. Ela também desempenhou atividades que exigiram força física durante o noviciado e os anos dos primeiros votos.

A jovem foi acometida por uma doença e ficou tão abatida que muitos acreditavam que ela sofria de tuberculose, dispensando-a da comunidade. Repetindo frequentemente sua oração - “Cristo, permiti que ao menos por algum tempo, eu seja religiosa” – Ir. Arcênia, com o tempo, conseguiu superar todas as adversidades.

Após os votos perpétuos, a Irmã começou a trabalhar com os doentes. Suas principais características foram a oração silenciosa, esmero e cuidado com o voto de pobreza.

Início da
Tríade Brasileira

A abertura do noviciado se deparou com uma longa série de dificuldades. O tempo foi passando e, na Festa da Ascensão, em 1915, o arcebispo de Curitiba Dom João Braga expediu a permissão para o funcionamento do noviciado. Tinha início, então, a tríade brasileira.

Irmã Serafina Maria Komniska

Nasceu na Bélgica, em 15 de maio de 1896, durante a viagem de imigração de seus pais para o Brasil. A família se estabeleceu em Prudentópolis.

Maria teve o primeiro contato com as Servas de Maria Imaculada aos 15 anos de idade. Ela, inclusive, foi uma das recepcionistas das religiosas na noite em que as primeiras irmãs chegaram à cidade. Por isso, não demorou muito para que Maria começasse a se aproximar da congregação.

A jovem passava com as servas os domingos e as auxiliava na confecção de flores. Aos poucos, foi se tornando uma ajudante dedicada da Irmã Anatólia Tecla Bodnar, na limpeza da igreja. Também acompanhava a religiosa em visitas aos doentes. Serafina atuou ainda como intérprete, já que a Irmã Anatólia apresentava dificuldades na compreensão do idioma.

Foi observando o zelo da Irmã pela casa de Deus que a moça sentiu o despertar da vocação para o estilo de vida religiosa. Sua atração era tão acentuada que chegou a escolher seu lugar na igreja, ao lado das Servas de Maria. Então, aos 19 anos, ela se uniu às primeiras Irmãs da Congregação, passando a se chamar Irmã Serafina.

Além das horas de oração e estudo, o trabalho da jovem foi centralizado na cozinha e na lavanderia. Com frequência, ela recebia o convite para auxiliar no trabalho hospitalar, principalmente na extração de dentes, podendo aprender noções de Odontologia.

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