Pe.Cirilo Seletski
Na época da fundação da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada, a paróquia da aldeia Zuzilh, na Ucrânia Ocidental (Galícia), era sabiamente dirigida pelo seu incansável e virtuoso pároco, Pe.Cirilo Seleski, sacerdote diocesano, homem de bom senso e grande experiência, credor de estima e amizade dos seus paroquianos. Graças ao seu esforço e longos anos de abnegado trabalho, ele conseguiu reconstruir a sua paróquia. Transpondo barreiras e dificuldades, ele, pode ver o seu povo organizado e interessado pelo próprio cultivo. Uma rica biblioteca paroquial era o testemunho disso. Cansado, alquebrado pelos anos, buscando para si melhores condições de trabalho, Pe.Seleski quer transferir-se da paróquia Zuzilh para "Rava Ruchka". Para a despedida convida missionários Padres Basilianos e oferece aos seus paroquianos um grande banquete espiritual, as Santas Missões. Entre os Missionários, brota a idéia da fundação da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada. O venerável pároco acolhe com simpatia e, em atenção aos conselhos do Diretor da equipe missionária, Pe. Jeremias, decide-se renunciar às vantagens previstas pela transferência, permanecendo em Zuzilh para assegurar o êxito aos trabalhos da fundação da nova Congregação. O Pe.Jeremias, descrevendo os primeiros passos da fundação, relata o seu diálogo com Pe.Seleski do qual resulta a união de forças e idéias, sobretudo a união de corações fator indispensável para a realização do projeto. "... desculpe-me, senhor padre, que tomo a liberdade de revelar-lhe a minha opinião pessoal sobre este assunto e, dirijo-me ao senhor com a proposta de uma tarefa muito importante. Talvez, o senhor se decida permanecer em Zuzilh. não há certeza absoluta de que poderá fazer muita coisa em Rava. O senhor já é um homem de idade, falta-lhe força e energia com a qual outrora iniciava o trabalho aqui em Zuzilh. E mais ainda, o senhor poderá frustrar-se e desanimar, porque em Rava o povo não é como o de Zuzilh... Em ambos os casos, a responsabilidade cairia sobre a sua pessoa, porque ninguém o afasta daqui de Zuzilh a não ser, desculpe-me a expressão, a sua própria "aspiração" e os favores dos poderosos... Se, porém, permanecer em Zuzilh, poderá realizar obras de grande relevo perante Deus e o povo...". Com a sua permanência e disponibilidade em Zuzilh, Pe.Seleski garantiu o bom êxito da fundação projetada pelo idealismo do grande missionário Pe.Jeremias, criativo de olhos abertos para a realidade, com personalidade prudente e atenta soube prever o futuro dos acontecimentos. Insiste, portanto, na permanência do bom pároco por todos conhecido, estimado e respeitado. Em curto prazo, a paróquia Zuzilh tem a singular honra de ser o berço abençoado da nova Congregação. A sua Co-fundadora, descrevendo os fatos ocorridos no relato da fundação, assim se expressa com referência ao acôrdo, entre Pe.Jeremias e Seleski. "... Pe.Jeremias previu com antecedência, que a nova Congregação diretamente fundada pelos Pes. Basilianos não satisfaria ao clero Secular ucraniano, não se faria este, simpático para com a obra, titulando a fundação de "jesuítica" e em vez de colaboração seriam colocados óbices e interferências para o desenvolvimento da Congregação. Por isso, o Pe.Jeremias quis ocultar o nome dos Padres Basilianos e procurou um sacerdote secular que aceitasse colaborar, emprestando o seu nome e seu apoio. Assim os Padres Basilianos "na sombra" poderiam com maior facilidade dirigir a sua obra...". Dentre as atribuições e tarefas inerentes à Fundação da nova congregação, coube ao Pe.Seleski a Procuradoria da congregação recém-fundada. No exercício da sua fecunda função providenciou o terreno e a casa para o noviciado, que provisoriamente se instalaria na sua paróquia em Zuzilh. Cuidou da manutenção da primeira comunidade desde o primeiro dia da fundação. Acompanhou a aquisição de novas propriedade. Projetou e dirigiu novas construções, sobretudo a da nova e definitiva casa de formação, o noviciado em Krestenópilh. Acontecimentos e fatos ocorridos geraram um clima de grande insegurança entre as religiosas que confusas e insatisfeitas recorrem ao Metropolita Silvestre Sembratovich, o qual, tomando as devidas providências, houve por bem de pedir o afastamento definitivo do Pe.Seleski que a bem da paz entregasse a Procuradoria da Congregação ao Pe.Jeremias Lomniski. Terminava assim o impasse. Este acontecimento em nada diminuiu o grande merecimento da venerável personalidade do Pe.Cirilo Seleski na fundação da Congregação.